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Olhar estratégico através do design estratégico

Sócio-Diretor de Design da CRAMA, Daniel Pan fala sobre o seu trabalho e sobre o premiado quiosque desenvolvido para a Oi….

por Crama Design em 24/03/2015
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Sócio-Diretor de Design da CRAMA, Daniel Pan fala sobre o seu trabalho e sobre o premiado quiosque desenvolvido para a Oi.

Parte da equipe da CRAMA há mais de 10 anos, Daniel Pan é designer de produto de formação. Hoje, um de nossos sócios, Daniel é responsável pelo setor de design de produto e experiência da CRAMA e assumiu um papel de estrategista em nossa equipe.

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O que não pode sair da sua cabeça quando você faz um projeto?

Viabilidade. Tudo que está em cada projeto tem que ser exequível, por isso a importância do diálogo com todas as partes envolvidas no projeto. Não adianta você encantar o cliente com um  um render maravilhoso e fotorealístico em uma apresentação e ele não ser exequível pelos fornecedores. Outro ponto que contribui para viabilidade é incorporar o fornecedor no processo de design. Um projeto de design nunca acaba na apresentação, ele é desenvolvido e aperfeiçoado durante a prototipagem junto com o conhecimento do fornecedor. É importante sentar com o fornecedor e enxugar o custo do projeto, mas sempre com cuidado para  não comprometer a estética e a funcionalidade do projeto. Recentemente recebemos um pedido da Oi para desenvolver um  novo quiosque com uma percepção premium por um custo básico e isso só foi possível com o olhar da viabilidade da nossa equipe.

O quiosque da Oi foi premiado no IDEA Brasil de 2014. O que esse projeto tinha de diferente?

Desde sua concepção, o quiosque foi planejado para atender à estratégia da Oi de capilarização e democratização da tecnologia por todo o país. O quiosque que a gente desenvolveu ajuda a ampliar a presença da Oi no varejo, além se transformar em uma ferramenta de inclusão digital. É um projeto que oferece tudo o que o consumidor teria em uma loja Oi, mas em um espaço de apenas 10 metros quadrados. Para a colocar a estratégia da empresa em prática, a gente previu uma série de características para o projeto, desde a produção de baixo custo e a montagem rápida até a grande versatilidade na exposição e degustação de produtos e serviços

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Você falou sobre a importância da viabilidade. E a criatividade, que peso tem no sucesso de um projeto?

A criatividade é o elemento que tem  maior peso para o sucesso de um projeto. Você pode ser criativo com restrições, o que muitos designers não gostam, mas para mim é nas restrições que conseguimos fazer algo realmente novo, diferente e, às vezes, inovador.

Para você ter boas idéias, basta você ser criativo, estar atualizado, vendo as coisas que estão rolando, as tendências… O mais difícil é ter boas ideias viáveis. Com uma boa ideia você vai lá, encanta o cliente, ele te acha o máximo e compra o seu projeto. Daí o projeto que estava no briefing, que deveria custar entre 5 mil e 10 mil reais, acaba custando 30 mil.

Dá pra evitar essas armadilhas na hora da criação?

Claro. O criativo tem que ter um olhar mais atento aos aspectos práticos. Onde isso vai ser produzido? No Rio, em São Paulo, na China? Quanto tempo vai durar, quais são as limitações. Enfim, são variáveis que às vezes não são levadas em consideração e aí você faz uma criação só na base da inspiração. é o design que, pra mim, não funciona. É o pior lado do design. É só a estética.

Pra você, o que é um bom design?

Todo curso que eu dou eu começo com essas perguntas: ‘o que é design? o que é um bom design para você?’. Depois de discutir isso em aula, o dever de casa é fazer essas perguntas para pessoas próximas da gente. Na minha opinião, nós designers temos um papel fundamental no entendimento geral do significado do design e do que é um bom design. É um trabalho educativo mesmo. Respondendo à sua pergunta, para mim, o bom design é aquele que funciona, que tem significado e é viável.

Você costuma fazer esse trabalho educativo no seu dia a dia?

Sim. Eu mesmo fiz essas perguntas pra minha mãe. A definição dela pra design é a seguinte: ‘é criação, inovação e desenvolver algo para ser mais útil e mais prático’. Pra meu orgulho, uma boa definição (risos). Depois pedi que ela apontasse entre três garrafas térmicas, qual tinha o melhor design. A que ela escolheu não tinha tampa de rosca, não era a que tinha ganhado o prêmio de design. Minha mãe tem um braço debilitado por conta de um AVC. Por isso era um bom design pra ela: porque ela só precisava de uma mão para abrir.

Hoje é cada vez mais comum as pessoas passarem por inúmeros empregos em suas carreiras. Você está já há mais de 10 anos na CRAMA. Como você faz para manter a rotina interessante?

O que importa não é ‘o que’ a gente faz, mas o ‘como’. É no ‘como’ que encontro motivação em sempre fazer melhor, aprendendo com os erros, com os feedbacks da equipe e do cliente. Durante um novo projeto sempre descobrimos novas ferramentas, atalhos e novas maneiras de fazer. Não acredito em uma única maneira certa de fazer as coisas, acho sempre que podemos acrescentar, testar e experimentar. É isso que me faz sair de casa. 

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E daqui a 10 anos, onde você se vê? 

Hoje eu me vejo como um designer de produto e estrategista. Gosto muito de estar envolvido em cada etapa, incluindo a fase inicial onde vamos no propósito do projeto. Acho que é uma mudança de foco que veio ao mesmo tempo em que eu tive meu filho e comecei a dar aulas. Estou muito mais interessado no propósito real das coisas, nas causas, nos efeitos. No curso de Design Estratégico do ano passado, desafiei meus os alunos com o tema: Como melhorar a mobilidade do seu bairro para moradores, trabalhadores e visitantes? Em 3 semanas de projeto, com o uso do design thinking, chegamos a resultados surpreendentes. O design estratégico é uma ferramenta poderosa que pode e dever ser usada como um meio para a solução de problemas ainda mais amplos, como: o ensino, a política, habitação, saúde, mobilidade entre outros. Daqui a 10 anos – tomara que antes – me vejo trabalhando ainda mais com projetos relevantes para o nosso bairro, nossa cidade e o nosso país.

 

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